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Quatro Rodas

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Monza com todo gás

(Edição nº 396, julho de 1993)

Com este carro, a GM sai na frente outra vez: é a primeira montadora do país a oferecer veículos dotados de sistema alternativo de injeção eletrônica para utilização de gás combustível (GNC), compatível com motores a álcool

O abastecimento

A história do gás combustível começou em 1925, na Itália, com a criação de redutores de pressão específicos para os tipos de motores carburados. No Brasil, a estréia "oficial" do Gás Natural Comprimido (GNC) só veio em 1991, depois de muitos botijões de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP, ou gás de cozinha) terem sido clandestinamente instalados nos porta-malas. O privilégio de usar esse combustível barato e menos poluente, contudo, foi e continuará sendo apenas de táxis, frotas de empresas e ônibus. A escolha do GNC visa as vantagens de utilização: ele apresenta queima muito limpa (resultando em poluição próxima de zero); não detona com facilidade e pode ser usado em carros com taxas de compressão altas sem prejuízo para o motor; e, por ser gasoso, facilita a mistura com o ar, tornandc-se mais simples e eficiente. Apesar de atualmente representar apenas 2% da matriz energética nacional, o gás aponta um futuro promissor no segmento de veículos comerciais. E a General Motors, de olho nesse interessante filão,investiu em tecnologia: associou-se à Flow-Box, empresa paulista que importa um kit holandês de conversão chamado Koltec. Por US$ 2.500, algumas concessionárias estão credenciadas a instalar o equipamento no Monza e Kadett a álcool com motores 1.8 e 2.0. A principal diferença do produto oferecido pela GM, em comparação com os kits de adaptação atualmente à venda no mercado, está no aval da fábrica, incluindo a assistência do Chevrolet Road Service. Do ponto de vista de engenharia, a maior alteração está na instalação de um segundo módulo de injeção, idêntico ao original (AC-Rochester single-point na versão a álcool), porém com quatro injetores e funções extras incorporadas para trabalhar com o gás.

O cilindro

No porta-malas surge o cilindro italiano da marca Faber, com capacidade para 14 m3 no lugar dos ilegais botijões de cozinha e do cilindro nacional com 10 m3 de capacidade (que equipava o modelo testado). A pressão dentro do cilindro chega a 220 bar, que pode ser considerada alta o bastante para causar estragos numa explosão. Por isso, a boa qualidade do recipiente é fundamental.

Válvula de distribuição

Para que o carro funcionasse com o GNC, foram adicionados dois redutores de pressão, a fim de enviar o gás ao motor com apenas 1 bar (aproximadamente a pressão atmosférica). A passagem é feita pela válvula de distribuição no compartimento do motor. Sua função é a de repartir o gás aos injetores extras, instalados no coletor de admissão.

Manômetro

Assim, Monza e Kadett adaptados são os únicos veículos nacionais a possuir sistemas de injeção single e multipoint simultâneos com vias de abastecimento independentes. E mais: toda essa convivência é "pacífica", com o motor tendo seu rendimento muito adequado e otimizado para combustível. No caso dos motores a gasolina, a adaptação é possível, mas não recomendável, pois sua taxa de compressão mais baixa levaria a um consumo muito alto de gás, com rendimento menor. Os demais sistemas inerentes à injeção a álcool, como sensor de oxigênio e de rpm, operam normalmente, graças ao segundo módulo de controle. Isso ajuda no melhor aproveitamento do gás, diminuindo consumo e perdas de rendimento e reduzindo emissões. Os índices de NOx, HC e CO após a queima do GNC são os únicos que atendem ao Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) para 1997. E como é dirigir esse carro? As diferenças de comportamento entre o uso do álcool e do GNC são quase imperceptíveis, apesar da queda de 10% de potência devida ao menor poder calorífico do gás.

Botão sinalizador

Um botão localizado à esquerda da cluna de direção aciona a transposição do álcool para o gás que, quando em operação, é sinalizado por um led luminoso no painel. Quando a reserva de gás está baixa, a luz começa a piscar e o carro volta automaticamente a funcionar com álcool (numa troca sentida por um pequeno tranco na aceleração no momento da transmissão). Pela manhã, o injetor de gasolina para partida a frio do motor a álcool quase não chega a entrar em ação. Para o futuro, a intenção é eliminá-lo. Com relação ao consumo, o Monza SL/E convertido faz 12,66 km/m3 de GNC, contra apenas 7,08 km/l de álcool. Mas a vantagem para o bolso não se repete no desempenho: na retomada de 40 a 100 km/h, o carro precisa de 37s92 com o gás, enquanto na opção álcool essa marca não passa de 28s38. De 0 a 100 km/h, a diferença a favor do etílico também é grande, com 11s73 para 14s71. A velocidade máxima de 168,7 km/h com GNC foi 8,6 km/h menor. No gral, a perda de desempenho fica na casa dos 21%.

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