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Quatro Rodas

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Primo rico, primo pobre: Monza Classic e Cavalier Z24

(Edição nº 370, maio de 1991)

 
Os dois rivais

A General Motors largou na frente com o carro mundial, no início dos anos 80, e investiu 8 bilhões de dólares no projeto J. Era uma idéia audaciosa: produzir o mesmo carro em diversos países, fazendo um intercâmbio de peças e componentes. Assim nasceu o Monza brasileiro, tecnicamente idêntico aos modelos montados nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra e Austrália. Poucas diferenças identificavam a nacionalidade dos carros "J". Monza no Brasil, Aska no Japão, Ascona na Alemanha, Camira na Austrália, Cavalier nos Estados Unidos e Inglaterra, o carro mundial da GM passou a sofrer as influências de cada país e, aos poucos, a troca de tecnologia foi acabando.

A traseira de ambos

Quase uma década depois, o Monza já não compete em condições de igualdade com seus parentes do Primeiro Mundo _ainda que esses, exceção feita ao Vectra alemão, também tenham estacionado no tempo em 1986. Aí está uma primeira dimensão do atraso do carro nacional: cinco anos, no mínimo. E mais alguma coisa que, em termos de conforto e desempenho, ainda separa nosso melhor Monza, o Classic MPFI de seu primo Cavalier Z24. Mas, se entre os dois a principal diferença está na motorização _o 2.0 quatro cilindros em linha do Monza perde para o V6 3.1 do Cavalier, ambos com injeção eletrônica multipoint_, o que assusta mesmo é a desigualdade de preço. Entre um Cavalier Z24, topo de linha do Monza americano por US$ 36.000 já com os 60% de impostos, e um Classic MPFi, topo de linha do Monza brasileiro pelo mesmo preço, qual você compraria? A dúvida começa a existir porque os dois carros poderão custar a mesma coisa no mercado nacional com as novas regras para importação de automóveis. Mas, na verdade, o preço real do Cavalier é US$ 12.000  _apenas um terço do valor do nosso melhor Monza.

A dianteira dos carros

É desanimador que um carro como o Monza Classic MPFI, defasado mecanicamente em relação ao Cavalier Z24, custe exatamente três vezes mais que seu primo rico. QUATRO RODAS colocou-os lado a lado para mostrar como dois carros que nasceram sob o mesmo teto podem tomar rumos diferentes _algo como se um deles tivesse sido adotado por uma família rica (o Primeiro Mundo) e o outro ficasse sob a guarda de uma família pobre (o Terceiro Mundo). Foi mais ou menos o que aconteceu com o carro mundial da GM _e, de resto, com outros modelos nacionais, como o Escort, derivados de projetos mundiais. É bom esclarecer que o Cavalier Z24 está longe de ser um campeão de tecnologia. Seu projeto é de 1986 e, nos Estados Unidos, ele é chamado de "Z28 dos pobres", numa alusão ao consagrado Camaro Z28. Ainda assim, está um passo à frente do melhor Monza nacional, que acaba de passar por uma boa reformulação estética para enfrentar exatamente a chegada dos importados. A primeira vista fica até difícil acreditar que o Cavalier seja o primo rico do Monza.

Uma vista lateral dos carros

Em tamanho, ao contrário dos tradicionais carrões americanos, o Cavalier chega a ser menor do que o Monza (437,8 cm contra 449,3 cm), tem a frente ligeiramente em cunha, faróis retangulares, pára-choques integrados, tomada de ar para o radiador abaixo do pára-choque e aletas de entrada de ar do motor situadas junto ao pára-brisa. Na traseira, um amplo porta-malas com rede para segurar pequenas compras, enorme conjunto ótico, aerofólio e um detalhe: estepe de dimensões reduzidas, suficiente apenas para chegar, rodando devagar, até o borracheiro mais próximo. Talvez por se tratar de um modelo esportivo, o Z24 não dispõe de nenhuma parafernália eletrônica. Até o controle dos espelhos é manual e o painel traz apenas os instrumentos necessários (velocímetro em milhas e quilômetros, conta-giros, temperatura de água e óleo e marcador de combustível). O motorista do Cavalier Z24 tem ainda ar-condicionado, um antiquado rádio/toca-fitas, volante regulável, piloto automático e, claro, porta-copos no painel.

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Alguns detalhes são interessantes. Um sinal sonoro adverte quando a chave está no contato com a porta aberta e quando o carro é ligado sem o motorista colocar cinto de segurança, que se localiza na porta. Para dar a partida, é preciso ainda pressionar o pedal da embreagem até o fim, evitando as surpresas de um tranco se o carro estiver engatado. Em alta, o ronco do motor lembra o barulho dos grandes esportivos americanos, a aceleração é rápida e o Cavalier Z24 chega aos 100 km/h em 9s57, com velocidade máxima de 185,2 km/h. Uma luz adverte o motorista quando o motor atinge sua rotação máxima. Tudo isso com uma troca de marchas suave e precisa. Mesmo acelerando rápido, o Cavalier mostra boa estabilidade. Esse comportamento se repete nas curvas e nas frenagens. Mas _e aí está o problema desse carro_ o sistema de freios é de Terceiro Mundo. O Cavalier merecia ter freios ABS (antiblocante) ou, no mínimo, freios a disco nas quatro rodas. Não tem.

Painel digital no Monza

Mas nem por isso o Monza Classic MPFI fica em posição de grande inferioridade em relação ao Cavalier Z24. O que assusta, mesmo, é o preço. Na verdade, o Z24 tem uma cara antiga, de esportivo dos anos 80. Mas... e o Monza? Também estacionou longe da modernidade. Embora seja um sucesso de vendas no Brasil desde o seu lançamento e tenha contribuído, entre outras coisas, para tirar do brasileiro o preconceito contra carros de quatro portas, o Monza mostra sua pobreza de estilo nos pequenos detalhes. Para começar, o rebaixamento da frente não teve a colaboração das outras partes do carro _ele continua meio quadrado, alto, com traseira reta, na contramão das tendências atuais.

Entretanto, é quando se entra dentro de um e de outro que as diferenças aparecem mais. No Cavalier, a sensação de prazer, com uma excelente visibilidade e ótima posição para dirigir. Já no Monza, o painel muito alto agride, o aproveitamento de espaço é ruim e só os instrumentos digitais, muito bonitos, atenuam a dificuldade de se explicar que o Classic MPFI é tão mais caro do que o Z24.

Vistos de frente

Mas esse não é um problema exclusivo do Monza. Com a liberação das importações para pessoas físicas (que agora podem trazer carros de onde quiserem), os importados realmente começam a ser uma ameaça para os carros nacionais de luxo. Eles agora podem chegar ao Brasil com o preço apenas três vezes maior do que no país de origem. Ou seja: o lucro até então auferido pelos importadores pode diminuir ou ser driblado com as novas regras. Veja, nesse caso, como ficariam os preços dos carros importados testados por QUATRO RODAS nos últimos meses:

Marca/modelo

Preço (em dólar)

Maserati 228 210.000
Mercedes 190 E 84.000
Mazda Miada 43.000
BMW 735i 156.000
Ford Probe GT 45.000
Volvo 960 99.000
Alfa Romeo 164 90.000
Toyota Previa 43.000
Honda Accord 50.000
Cavalier Z24 36.000

Como se vê, dependendo do modelo, o importado já começa a ter preço competitivo com os automóveis nacionais de luxo. Resta saber qual é o poder de reação da indústria automobilística brasileira. Quando o Monza foi lançado no Brasil, em 1982, trazia novidades como as molas helicoidais da suspensão tipo miniblock. fusíveis coloridos em U, conjunto platô-embreagem que podia ser trocado sem mexer na caixa de câmbio e outras soluções práticas que facilitaram a vida dos motoristas. Resultado: a concorrência foi pega de surpresa. Mas, do pioneiro Monza Hatch 1.6 até o atual Classic 2.0 de quatro portas com injeção eletrônica multipoint, as modificações foram muito lentas. O motor, por exemplo, precisou de oito anos até ganhar injeção eletrônica de combustível. Por se tratar de um carro de concepção moderna e mundial, deveria ter sido ele o primeiro a usá-la no Brasil. Só recentemente, também, o Monza ficou mais comprido, a frente ganhou forma de cunha e o porta-malas passou a abrir desde o pára-choque.

Se o Monza e o Cavalier pararam no tempo, do carro mundial da GM o que mais evoluiu foi o Vectra alemão, originário do Opel Ascona. Os modelos brasileiro e americano se distanciaram na  aparência mas mantiveram o grau de parentesco. A grande diferença entre os dois é o público a que se destinam _além do preço. O Cavalier comum pertence a classe dos economy cars (carros econômicos), cotados em torno de US$ 10.000 ou abaixo disso. O modelo básico custa entre US$ 8.000 e US$ 9.000 e concorre sobretudo com pequenos japoneses. O Z24. mesmo sendo o topo de linha do Cavalier, ainda tem o preço camarada de US$ 12.000. Já o Monza MPFI, no outro extremo, disputa nosso mercado de carros de luxo, embora com características de potência e desempenho não muito diferentes das versões mais simples. Só que, por estar nessa faixa hierarquicamente superior, seu preço se situa muitos andares acima _os cerca de US$ 14.000 do Monza mais barato, o SL 1.8, saltam para US$ 36.000 quando se trata do modelo com injeção eletrônica.

Os dois nasceram do mesmo projeto

Portanto, a pergunta resiste: entre um Cavalier de US$ 36.000 (se importado diretamente pelo comprador) e um Monza pelo mesmo preço (com todas as vantagens de assistência de um carro nacional), qual atenderia melhor o consumidor? Enfim, é  um resultado da política seguida pelo setor automobilístico brasileiro nos últimos anos _e que talvez explique por que foi ficando cada vez mais difícil a compra de um carro zero quilômetro no país. Se a atual abertura para os importados servir para que melhore a vida dos consumidores e que os carros brasileiros cresçam tão fortes como seus parentes do Primeiro Mundo, então já terá valido a pena.

Ficha técnica - Monza Classic MPFI

Motor: gasolina, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 1.998 cm3; potência: 116 cv a 5.700 rpm; torque: 17,8 mkgf a 3.200 rpm. Câmbio: cinco marchas, sincronizado. Suspensão: dianteira independente, McPherson, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora; traseira semi-independente, com eixo de torção, molas helicoidais e amortecedores telescópicos. Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo. Dimensões externas: comprimento, 449,3 cm; largura, 166,8 cm; altura, 134,6 cm (14,0 cm do solo). Peso: 1.170 kg. Tanque: 57 litros. Porta-malas: 407 litros. Equipamentos: de série: rodas de liga leve, vidros elétricos, vidros verdes, vidro térmico traseiro, retrovisores com controle elétrico, faróis de neblina, alarme antifurto, rádio toca-fitas, direção hidráulica e ar-condicionado.

Ficha técnica - Cavalier Z24

Motor: gasolina, dianteiro, longitudinal, seis cilindros em V, 3.100 cm3; potência: 140 cv a 4.200 rpm; torque: 23,4 mkgf a 3.200 rpm. Câmbio: cinco marchas, sincronizado. Suspensão: dianteira independente, McPherson, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora; traseira semi-independente, com eixo de torção e amortecedores telescópicos. Freios: disco ventilado na dianteira e tambor na traseira, com servo. Dimensões externas: comprimento, 437,8 cm; largura, 167,6 cm; altura, 131,8 cm (12,0 cm do solo). Peso: 1.285 kg. Tanque: 50 litros. Porta-malas: 206 litros. Equipamentos: de série: rodas de liga leve, vidros elétricos, vidros verdes, vidro térmico traseiro, piloto automático, ar-condicionado, rádio toca-fitas, coluna de direção regulável.

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