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Quatro Rodas

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Quatro Rodas" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Teste comparativo: Monza Classic x Santana GLS

(Edição nº 318, janeiro de 1987)

Acompanhe a briga entre os dois carros brasileiros mais luxuosos: Monza Classic e Santana GLS.

Monza Classic e Santana GLS

Monza 2.0 Classic ou Santana GLS? Não importa. São os dois melhores automóveis fabricados atualmente no país. Oferecem luxo, funcionalidade e status invejáveis tanto para quem os dirige como para quem vai no banco do lado ou mesmo atrás. Uma sensação de destaque, enfim, igual a que se teria desfrutando do elevado padrão de um carro europeu. Mas qual o melhor? Aí, a resposta já é mais difícil. As vantagens que constatamos de um sobre o outro ou são muito pequenas ou se localizam em detalhes não decisivos. A diferença maior está no jeitão de cada um. Enquanto o Santana tende mais para o estilo clássico do automóvel três volumes, o Monza, fruto de um projeto mais recente, tem um estilo mais jovem e funcional.

Não é preciso dizer que são os modelos mais caros das linhas Volkswagen e General Motors no Brasil. E há uma coincidência técníca: os dois adotam no motor a mesma tecnologia de biela longa, com pistões de saia menor e anéis mais finos. A Volks introduziu esse aperfeiçoamento em fins de 1985 no seu motor AP-800 e a GM no último trimestre de 1986 nos motores do Monza. O resultado é a semelhança de desempenho dos dois carros, a começar pela velocidade máxima: 160,9 km/h do Monza contra 159,3 km/h do Santana _uma diferença insignificante, ainda mais se levando em conta que o carro da GM tem 200 cm3 a mais de cilindrada.   Surpreendentemente, porém, o Monza também foi ligeiramente mais econômico. Na estrada, vazio, a 100 km/h, fez 10,2 krn/l contra 9,69 do Santana. Com carga máxima, fez 9,69 krn/l e o Santana 9,32. E na cidade, um rodando ao lado do outro, fez 6,66 km/l contra 6,22 do Santana. Também no nível de ruído as diferenças foram pequenas, de pouco mais de um decibel em cada uma das rotações. Só na marcha lenta o Monza foi mais barulhento: 3,6 decibéis a mais, bem perceptiveis.

Monza Classic

Na aceleração, vantagem do Monza. Sua maior cilindrada fez com que chegasse aos 100 km/h em 12,12 segundos contra 13,17 do Santana. Mas, para completar o primeiro quilômetro, a diferença voltou a ser mínima: 33,92 segundos para o Monza e 34,87 para o Santana. E nas retomadas, ao contrário, houve uma boa vantagem do Santana: 32,03 segundos para ir de 40 a 140 km/h contra 41,14 segundos do Monza. A explicação está na quinta marcha mais curta do Santana.

Na dirigibilidade, outra vantagem do Santana, decorrente de seu sistema de direção hidráulica ser progressivo. Ou seja, com o aumento da velocidade, a direção endurece. Já no Monza ela continua muito mole, não transmitindo a mesma confiança.

No câmbio, outro empate, e com progressos evidentes nos dois casos. No do Santana, as relações de marcha eram muito longas. Encurtadas, deixaram o carro mais rápido e agradável, principalmente no trânsito à custa, é verdade, de um certo aumento de consumo. No Monza, ao contrário, eram os engates que deixavam a desejar. Porém, com a troca dos anéis sincronizadores, ficaram fáceis e precisos. Para cada anel sincronizador do modelo antigo, agora existem, três com a mesma função. Com isso, diminuíram o atrito e a temperatura do sistema, aumentando sua eficiência. Também nos freios, os dois carros se equivalem. Percorreram praticamente os mesmos espaços em todas as velocidades do teste, e sem desvios de trajetória.

Carroceria mais clássica do Santana

Assim, é mesmo nos detalhes, sobretudo nos de estilo, que as diferenças mais aparecem. De linhas mais tradicionais, o Santana parece mais alto e maior do que realmente é. Sem exagero, quem o dirige pode ter a impressão de estar num carrão do tipo Landau ou Dart. Já o Monza, além de parecer mais baixo, tem os vidros de fato mais baixos e linhas mais limpas, o que lhe dá aspecto menos clássico, menos austero. Em contrapartida, os bancos do Monza, mais macios, podem não ser tão do agrado dos jovens quanto os do Santana, mais firmes nas curvas, e que têm ainda a vantagem da regulagem de altura.

A carroceria mais limpa do Monza

Na visibilidade, pequena vantagem para o Monza. Seus vidros laterais são 5 cm mais baixos que os do Santana, o que permite se enxergar o chão mais perto nas manobras. Os painéis são completos e bonitos. O do Santana, mais sóbrio. O do Monza, mais colorido e de leitura mais fácil, já que os marcadores de temperatura e de nível de combustível têm lugar próprio, fora do conta-giros. Além disso, os dois painéis têm econômetros e todas as luzes-espia mais necessárias.

Mas há detalhes de acabamento que individualizam bem cada carro. O Monza só tem uma chave, que serve para a ignição, para as portas e para o bocal de combustível. O dono do Santana tem que carregar três: uma para ligar o carro e abrir as portas, outra para o tanque de combustível e ainda uma terceira para a tampa do porta-luvas. Em compensação, a que abre as portas tem um detalhe inédito de sofisticação: basta pressioná-la para se produzir um foco de luz, o que é útil quando se deixa o carro estacionado em lugares escuros.

Nos dois, os vidros têm acionamento elétrico. Mas só no Monza há, também, comandos elétricos para a regulagem dos retrovisores externos. E os dois têm trava central: basta travar a porta do motorista para se travarem simultaneamente as outras três. Apenas a favor da trava do Monza o fato de ficar embutida na lateral da porta, o que inibe mais os ladrões. E o Monza ganha também no tamanho do porta-malas, embora nos dois casos haja espaço suficiente para a família e são muito bem carpetados.

O porta-malas do Monza Classic

O porta-malas do Santana GLS

O preço? Bem, o preço é o de dois bons carros europeus, que você pode calcular em dólar ou em cruzado. E, principalmente, a escolha vai depender da simpatia pelo estilo de um ou de outro e da maior confiança numa ou noutra mecânica.

Os resultados

DESEMPENHO: iguais na velocidade máxima; o Monza, com 200 cm3 a mais ganhou na aceleração, mas perdeu nas retomadas.

CONSUMO: apesar da maior cilindrada, o Monza foi um pouco mais econômico, tanto na estrada como na cidade.

MOTOR: o do Monza agora também é de biela longa, solução adotada há mais de um ano pela Volkswagen. Equivalem-se.

CÂMBIO: os dos VW sempre joram melhores; porém, com os acertos feitos nos sincronizadores do câmbio do Monza, empataram.

FREIOS: espaços de frenagem iguais. Porém, no Monza, o motorista em emergência apóia o pé antes na haste do que no pedal.

DIREÇÃO: hidráulicas, as duas são ótimas. A do Monza peca, contudo, por não ser do tipo progressivo.

ESTABILIDADE: nos dois carros, o limite do perigo está muito além da utilização normal. Muito confiáveis.

SUSPENSÃO: praticamente equivalentes, oferecem com perfeita relação entre estabilidade e conforto. A do Monza, um pouco mais silenciosa.

ESTILO: o Santana é mais clássico e o Monza mais moderno. A escolha realmente depende do gosto pessoal de cada um.

CONFORTO: do bom espaço disponível ao baixo nível de ruído, os dois justificam sua condição de carros de luxo.

POSIÇÃO DE DIRIGIR: embora com diferenças, na prática os dois carros se equivalem. No Santana, banco com regulagem de altura.

INSTRUMENTOS: bons, porém no Santana a leitura é mais dificil. Temperatura e combustível ficam dentro do conta-giros.

Painel de instrumentos do Monza

VISIBILIDADE: um pouco melhor a do Monza. Mas, mesmo no Santana, logo o motorista se sente dono da situação.

NÍVEL DE RUÍDO: os dois são incrivelmente silenciosos. As diferenças, em algumas velocidades, compensam-se entre si.

PORTAS-MALAS: bem revestidos, no do Monza cabem 16 litros a mais, apesar do Santana ser um carro mais comprido.

Ficha técnica - Monza Classic

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, quatro tempos, refrigerado a água. Comando de válvulas e válvulas de admissão e escape no cabeçote. Alimentação por um carburador de corpo duplo; a álcool. Diâmetro x curso: 86,0 x 86,0. Cilindrada total: 1.988 cm3. Taxa de compressão: 12,0:1. Potência máxima: 110 cv ABNT a 5.600 rpm. Torque máximo: 17,3 mkgf ABNT a 3.000 rpm. Transmissão: relações de marcha: 1ª) 3,42:1; 2ª) 1,95:1; 3ª) 1,28:1; 4ª) 0,89:1; 5ª) 0,71:1; ré, 3,33:1; diferencial, 3,94:1; tração dianteira. Carroceria: sedã, três volumes, quatro portas, cinco lugares. Suspensão: dianteira: independente, Mcpherson, com braços inferiores transversais, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora; traseira: semi-independente, com eixo de torção, molas helicoidais, amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora. Freios: a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, com servo. Direção: mecânica, de pinhão e cremalheira. Diâmetro do volante: 38 cm. Diâmetros de giro: 10,85 m para a esquerda e 10,60 m para a direita. Dimensões externas: comprimento, 436,6 cm; largura, 166,8 cm; altura, 135,8 cm; distância entre eixos, 257,4 cm; bitolas dianteira e traseira, 140,6 cm; altura mínima do solo, 14,8 cm. Capacidade do tanque: 61 litros. Capacidade do porta-malas:  410 litros. Capacidade de carga: 475 kg. Peso do carro testado: 1.130 kg.

Ficha técnica - Santana GLS

Motor: dianteiro, longitudinal, quatro cilindros em linha, quatro tempos, refrigerado a água. Comando de válvulas e válvulas de admissão e escapamento no cabeçote. Alimentação por um carburador de corpo duplo e fluxo descendente; a álcool. Diâmetro x curso: 81,0 x 86,4. Cilindrada total: 1.781 cm3. Taxa de compressão: 12:1. Potência máxima: 94 cv (69 kW) ABNT a 5.000 rpm. Torque máximo: 15,2 mkgf (150 Nm) ABNT a 3.400 rpm. Transmissão: relações de marcha: 1ª) 3,45:1; 2ª) 1,94:1; 3ª) 1,29:1; 4ª) 0,97:1; 5ª) 0,80:1; ré, 3,17:1; diferencial, 4,11:1. Tração dianteira. Carroceria: sedã, quatro portas, cinco lugares. Suspensão: dianteira: independente, McPherson, com braços inferiores triangulares, molas helicoidais; amortecedores hidráulicos telescópicos e barra estabilizadora; traseira: semi-independente, com eixo em V trabalhando em torção, braços longitudinais tubulares, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos telescópicos. Freios: a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, com servo. Direção: hidráulica, de pinhão e cremalheira. Diâmetro do volante: 38 cm. Diâmetros de giro: 10,60 m para a direita e 11,25 m para a esquerda. Dimensões externas: comprimento, 453,7 cm; largura, 169,5 cm; altura, 140,2 cm; distância entre eixos, 255,0 cm; bitola dianteira, 141,4 cm; bitola traseira, 142,2 cm; altura livre de solo, 13,0 cm. Capacidade do tanque: 75 litros. Capacidade do porta-malas: 394 litros. Capacidade de carga: 485 kg. Peso do carro testado: 1.080 kg.

Os números do teste

Consumo a velocidade constante (km/l)

Velocidade real
(km/h)
Marcha
usada
SANTANA MONZA
40 13,15 12,23
60 12,27 11,92
80 11,05 10,26
100 9,25 9,00
120 7,93 7,44

Consumo médio (km/l)

 

SANTANA MONZA
Na cidade 6,22 6,66
Na estrada, 100 km/h reais, carregado 9,32 9,69
Na estrada, 100 km/h reais, só com motorista 9,69 10,01

Aceleração (tempo em segundos)

Var. velocidade real
(km/h)
Marchas
usadas
SANTANA MONZA
.................0 - 40 2,74 2,62
.................0 - 60 1ª/2ª 5,29 4,94
.................0 - 80 1ª/2ª 8,70 7,77
0 - 100 1ª/2ª/3ª 13,17 12,12
0 - 120 1ª/2ª/3ª 19,87 17,63
0 - 140 1ª/2ª/3ª/4ª 30,62 27,63

Distância percorrida (metros por segundo)

 

SANTANA MONZA
0 - 400 m 18,64 s 18,10 s
0 - 1000 m 34,87 s 33,92 s

Velocidade máxima na pista de testes (km/h reais)

  SANTANA MONZA
Média de 4 passagens 159,3 160,9
Melhor passagem 160,7 161,6

Retomada de velocidade (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h)

...Marcha
..usada
SANTANA MONZA
.............40 - 60 7,77 9,88
.............40 - 80 14,90 20,14
.............40 - 100 22,80 30,35
.............40 - 120 32,03 41,14

40 - 1.000 m

39,69 43,40

Espaço de frenagem (metros)

Var. velocidade real (km/h) SANTANA MONZA

  40 - 0

8,70

8,20

  60 - 0

17,75

18,05

  80 - 0

31,80

31,60

100 - 0

49,30

48,55

120 - 0

69,10

68,85

freio de mão (60 - 0)

45,60

49,95

Nível de ruído - dB (A)

Velocidade real (km/h) Marcha usada SANTANA MONZA
0 ponto morto 44,9 48,6
20 61,8 60,4
40 63,6 63,3
60 65,1 66,4
60 66,2 65,4
80 68,2 67,6
80 67,2 67,4
100 71,4 70,1
120 72,5 72,6

Rolamento (metros percorridos em ponto morto)

 

SANTANA MONZA

100 km/h ------------- 40 km/h

993,18 m 1.043,0 m

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