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Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Teste comparativo: Monza x Tempra

(Edição nº 66, fevereiro de 1992).

 
Monza e Tempra lado a lado

Chegou o momento de compararmos o Fiat Tempra com seu outro concorrente: Monza SL/E 2.0 EFI, a gasolina, quatro portas. Os Monza (e Kadett) são produzidos agora apenas com injeção eletrônica de combustível, enquanto o Tempra só é disponível com carburador.

Embora a injeção EFI (monoponto) usada não faça milagres, o resultado final é bom, com consumo razoável e segurança de funcionamento. Aparentemente complicados, os sistemas de injeção atuais são concebidos de maneira a nunca apresentarem defeito por completo, garantindo o funcionamento _mesmo precário_ do veículo.

Modernidade e evolução

Para enfrentar o novíssimo Tempra, a GM só pode contar, no momento, com o bem evoluído Monza, modelo que já tem 10 anos de Brasil. O Chevrolet Omega, próximo lançamento brasileiro da General Motors irá ajudar muito na "brigada anti-Tempra". Lançado em 1982, o Monza vem passando por várias modificações mecânicas e de estilo, resultando num dos carros mais equilibrados entre todos os fabricados no Brasil. Sua adequação às condições brasileiras é total, chegando a superar até muitos carros importados nesse aspecto. Hoje, o Monza é um automóvel firme nas retas e nas curvas, sem com isso apresentar o menor desconforto. Dito de outra maneira, é um carro confortável, porém, com muita estabilidade, uma equação difícil de ser alcançada. Mesmo com pneus 185/70-13 (seria preferível usar perfil baixo), o Monza não mostra nenhum vício de comportamento, transmitindo segurança ao motorista. Tudo isso acrescido de uma carroceria com desenho ainda elegante, com um bom porta-malas e acesso fácil ao interior (quatro portas), mas que não é a última palavra em estilo.

O Tempra, por outro lado, passa a ser o carro nacional que exibe a maior atualidade entre todos. Não tanto pela mecânica, mas pelo estilo e aproveitamento de espaço. O Tempra "cheira" a Primeiro Mundo, e esse é sem dúvida seu grande apelo. Dentro dele têm-se certeza de que se trata de um carro novo e diferente, mesmo que alguns mais familiarizados com os Fiat sintam alguns pontos em comum. Por exemplo, as alavancas de acionamento de luzes/faróis, indicador de direção e limpador/lavador de parabrisa foram herdadas dos Prêmio/Elba CSL. Ou a maneira pouco habitual de ligar lanternas com o motor desligado é marca registrada Fiat _virar a chave de ignição toda para trás e acionar a pequena lingueta que existe sobre ela.

Não há quem não fique surpreso com o espaço interno do Tempra. Todos os ocupantes se sentem bem acomodados, com espaço "de sobra" para cabeças e pernas, mesmo para quem tem 1,80 metro de altura ou pouco mais. Mas, como em todos os projetos mais atuais, o banco traseiro não acomoda perfeitamente três adultos. Mesmo se tratando da versão mais simples de Tempra , o interior do Tempra agrada. Certos itens opcionais do Monza são de série no Tempra como o ajuste de altura do volante de direção e o travamento central de portas. Como no Monza, os vidros das portas traseiras abaixam completamente, mas a alavanca de ajuste de altura do volante está localizada sob a coluna de direção, sendo de difícil alcance, para que o motorista não tente efetuar ajustes com o veículo em movimento. É uma medida de segurança.

2000 x 2000

O motor do Tempra
O motor do Monza

Tanto no Tempra como no Monza, os motores são de 2.000 cc, instalados transversalmente à frente. A diferença importan te entre os motores está no número de comandos de válvula, que são dois com atuação direta no Tempra e um com atuação indireta no Monza, este contando ainda com sistema de compensação de falta de válvulas. Nos dois casos correias dentadas acionam o(s) comando(s) de válvulas, mas só no Monza esta correia se encarrega também de movimentar a bomba d'água do sistema de refrigeração do motor, detalhe atual e de grande conveniência para quem usa o carro, pois a ruptura da correia do alternador não causa a parada imediata do veículo. O Tempra testado ainda não tinha catalisador no escapamento. Portanto, seu desempenho deverá piorar um pouco na versão definitiva. Por outro lado, nenhum Monza precisará ter esse equipamento até o último dia de 1996, data-limite para o atual volume máximo de emissões pelo escapamento (Fase 2 do Proconve). Isto acontece porque as características dos motores com injeção de combustível da GM mantiveram as emissões bem abaixo dos limites impostos para a presente fase de controle. Um detalhe ruim no Tempra é a posição do extintor de incêndio, que fica do lado direito, longe do motorista. O motor do Monza desenvolve 110 cv a 5.600 rpm, segundo a fábrica, 11 cv a mais que os 99 cv a 5.250 rpm do Tempra (cerca de 102 cv, sem o catalisador). Com mais potência e menos peso (1.123 kg contra 1.255 kg), o Monza deveria ser superior ao Tempra, em desempenho, mas o teste revelou o oposto. O Monza registrou 174,3 km/h de velocidade máxima (média quatro passagens), enquanto o Tempra chegou a 183,1 kmlh. Nas acelerações a partir da imobilidade o Tempra foi sempre o melhor, o mesmo acontecendo nas retomadas a partir de 40 km/h, em quinta. Por que a incoerência? Mesmo tendo o Tempra um C (coeficiente de resistência aerodinâmica) dos mais baixos (0,32 contra 0,39 do Monza), a vantagem no produto C x A (área frontal) é modesta, pois o Tempra é um carro alto e largo, comparado com o Monza (e é o "segredo" do espaço interno do carro da Fiat). Por isso, acreditamos que a potência declarada pela GM difere bastante da real (sentimos o mesmo no teste do Monza 2.0 EFI. a álcool).

Acreditamos tratar-se de acerto final de injeção e ignição, onde foi preciso chegar a valores folgados de emissões de poluentes pelo escapamento, para isso sacrificando um pouco de potência. Talvez um chip reprogramado no computador do sistema pudesse dar o esperado rendimento a esse 2.000 cc da GM. Temos certeza que esse motor "anda" bem mais que os 174 km/h.

Em questão de consumo, a injeção monoponto do Monza empatou com o bom carburador de corpo duplo do Tempra. Em velocidade constante, o Tempra sempre foi mais econômico (exceto a 40 km/h), tendo praticamente havido empate no consumo de cidade (Tempra 8,9 km/litro e Monza 9 km/litro). Sem dúvida, os destaques para a injeção eletrônica monoponto são a eficiência mantida em longo prazo e os controles refinados, como por exemplo, o corte momentâneo do condicionador de ar quando o pedal do acelerador é pisado até o fundo: durante sete segundos o compressor é desligado, para permitir ultrapassagens mais rápidas. Outro destaque desse gerenciamento eletrônico de injeção e ignição fica para o indicador "inteligente" de troca de marcha, que se adapta ao modo de dirigir do motorista, não sendo um indicador "burro" como o dos primeiros Santana. Não importa se em direção econômica ou esportiva, a pequena seta à direita do painel se acende no momento correto para a situação. Nem é preciso olhar para o contagiros.

Novo câmbio

Como aconteceu na Itália, o lançamento do Tempra foi acompanhado da introdução de novo câmbio (que surgiu um ano antes, no Tipo), visando atualização tecnológica. Em resumo, foram alterados o arranjo dos corpos sincronizadores nas duas árvores do câmbio (para eliminar o ruido em ponto-morto com motor em marcha-lenta) e a posição de entrada dos braços e alavancas de reação do comando de marchas, visando ganhos de precisão e facilidade de engate. Junto com a manopla esférica da alavanca (a do Monza continua a mesma, quadrada, desagradável de usar), o novo câmbio Fiat se destaca muito dos Fiat que conhecemos até hoje, apesar de terem havido melhoras apreciáveis nos últimos anos.

O câmbio do Monza, porém, é de funcionamento mais silencioso que o do Tempra, que insistia em "chorar" na quinta marcha. Aliás, estranhamos o "buraco" entre a quarta e quinta marchas, nunca esperado num carro de origem italiana. A quarta é 33,3% mais curta que a quinta, quando o normal é em torno de 20% (25%, no Monza). Percebe-se bem o buraco, ao esticar a quarta até 5.500 rpm e ver o ponteiro do contagiros cair para 4.100 rpm ao passar para quinta. No Monza, a queda é para 4.400 rpm.

Ainda na transmissão, uma novidade no Tempra, até hoje não vista por aqui: as semi-árvores (semi-eixos) são de mesmo comprimento, em lugar da curta do lado esquerdo e mais longa do lado direito, normalmente encontradas nas instalaçôes transversais de motor e câmbio. Com isso, o comportamento da direção torna-se melhor, em especial sob aceleração forte.

Decisão difícil

A traseira dos dois carros

Mesmo sendo o Fiat Tempra um lançamento dos mais atraentes, é difícil escolher entre ele e o Monza SL/E 2.0. O carro da GM já está consolidado no mercado e sua produção se encontra em nível ideal. O Fiat Tempra está começando agora e sempre se pode esperar algum tempo, antes que pequenas dificuldades de produção desapareçam, mesmo com alguma automação presente nas linhas.

O carro da GM conta com detalhes interessantes como a qualidade da suspensão, o conforto de marcha, a suavidade do motor (é o motor de funcionamento mais suave fabricado no Brasil hoje), o prático e útil computador de bordo opcional (que agora recalcula a autonomia automaticamente) e uma refinada injeção de combustível.

Por seu lado, o Tempra é a própria expressão de atualidade, algo que muitos consumidores fazem questão absoluta nos novos lançamentos. A Fiat inovou com o Tempra (na Itália e aqui), apresentando um câmbio inteiramente novo que é dos melhpres já vistos, apesar da dificuldade de se construir bons comandos de câmbio nas instalações transversais. Engatar marchas no Tempra é tão fácil e agradável como nos melhores exemplos de câmbio na longitudinal. Fora isso, o Tempra é maior por dentro que o Monza, com acesso muito fácil ao interior. Os porta-malas são grandes e se equivalem (ambos passam de 550 litros).

O porta-malas do Monza O porta-malas do Tempra

Hoje, o Monza tem pouco o que evoluir, mas seria melhor se os fechos dos cintos dianteiros fossem rígidos, para colocação e retirada mais fácil, e melhor ajuste ao corpo. Também, o sistema de ajuste dos bancos do Tempra não está entre os melhores: a solução mais atual e ergonômica é a alavanca na parte lateral externa do banco, um pouco à frente, de modo que a mão caia naturalmente sobre ela. Além disso, continuamos a reprovar o volante de direção em forma de 'V" invertido e o grupo ótico dianteiro sem farol auxiliar de longo alcance. Existe o local previsto, mas não há lâmpada halógena e nem a instalação elétrica.

O Monza e o Tempra deveriam ter luz traseira de neblina "para nevoeiro" (como o Monza Classic e Kadett), que não é luxo mas item de segurança. No carro Fiat, um detalhe que desagrada: o motor é muito "aspero" (não quer dizer que não seja robusto) em quase todas as situações, e não há potência em baixas rotações. É preciso alguma habilidade para arrancar com o Tempra em certas rampas. lmagine-se como ficará quando o carro tiver catalisador.

A favor do Monza estará o preço do Tempra, deixando o carro da GM com um dos melhores fatores custo-benefício do mercado. O Monza tem tudo para continuar agradando e até conseguir novos compradores. Mas o Tempra vai fazer um "estrago" na concorrência, com seu visual atual e desenho bonito, com os ares de renovação que tomaram conta de vez da Fiat brasileira _e também ares de euforia.

GM: as novidades

Todos os modelos de Monza, Kadett e Ipanema equipados com injeção eletrônica de combustível, tipo EFI (um único bico injetado), estão saindo de fábrica com uma tomada de teste computadorizada de mais de 30 funções do motor, que identifica qualquer tipo de problema no sistema. Assim, ao ocorrer qualquer problema, o técnico da concessionária detectará imediatamente a origem do defeito, bastando ligar a tomada especial existente no carro (lado passageiro, logo abaixo do porta-luvas) com o computador em que foi previamente inserido o cartucho padrão daquele modelo.

Ficha técnica - Monza SL/E 2.0

Motor: dianteiro, transversal, de quatro cilindros em linha, 1998 cc. Diâmetro e curso dos pistões 86 x 86 mm. Taxa de compressão 9,2:1. Potência máxima (líquida) 110 cv a 5.600 rpm; torque máximo (líquido) 16,6 kgf.m/163,3 N.m a 3.200 rpm. Alimentação por injecão eletrônica monoponto, gerenciamento conjunto com ignição. Combustível: gasolina. Transmissão: câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré, com as seguintes relações: 1ª) 3,55; 2ª) 1,95; 3ª) 1,28; 4ª) 0,89; 5ª) 0,71; ré 3.33. Embreagem monodisco a seco, tração dianteira, diferencial 4,19. Suspensão: dianteira. independente tipo Mcpherson, mola helicoidal, amortecedor hidráulico, braço triangular e estabilizador. Traseira: eixo de torção, mola helicoidal tipo barril, amortecedor hidráulico e estabilizador. Direção: pinhão e cremalheira. servoassistida, relação 16,0:1, diâmetro mínimo de curva 11,3 metros. Freios: de serviço, hidráulico servoassistido, duplo circuito em diagonal, dianteiro a disco ventilado, traseiro a tambor autoajustável, válvulas equalizadoras para os freios traseiros. De estacionamento, mecânico agindo sobre as rodas traseiras, por meio de alavanca entre os bancos dianteiros. Rodas e pneus: rodas de liga-leve 6 x 13 polegadas. Pneus radiais sem câmara 185/70 SR 13. Dimensões: comprimento total 4.336 mm; largura 1.668 mm; altura 1.357 mm; distância entre-eixos 2.574 mm; bitola dianteira/traseira 1.406 mm; altura livre do solo 170 mm. Capacidades: combustível, 57 litros; motor com filtro, 4,0 litros; porta-malas, 565 litros. Pesos: em ordem de marcha 1.123 kg; carga útil, 475 kg. Sistema elétrico: 12V, alternador 65A, bateria 55 A.h.

Ficha técnica - Tempra

Motor: dianteiro, transversal, de quatro cilindros em linha, 1995 cc. Diâmetro e curso dos pistões 84 x 90 mm. Taxa de compressão 8,7:1. Duplo comando de válvulas. Potência máxima (líquida) 99 cv a 5.250 rpm; torque máximo (líquido) 16,4 kgf.m a 3.000 rpm. Formação de mistura por carburador duplo progressivo. Combustível: gasolina. Transmissão: câmbio manual de cinco marchas à frente e uma à ré, com as seguintes relações: 1ª) 3,54; 2ª) 2,27; 3ª) 1,54; 4ª) 1,16; 5ª) 0,87; ré 3.90. Diferencial 3,56. Tração dianteira, embreagem monodisco a seco, acionamento mecânico por cabo sem ajuste periódico. Suspensão: dianteira, independente tipo Mcpherson, braço de controle transversal, tensor longitudinal, estabilizador, mola helicoidal e amortecedor. Traseira: independente tipo McPherson, braço de controle transversal, tensor longitudinal, estabilizador, mola helicoidal e amortecedor. Convergência ajustável por barras. Direção: pinhão e cremalheira. servoassistida (opcional), 3,5 voltas de batente a batente, diâmetro mínimo de giro 10,5 metros (na roda dianteira). Freios: de serviço, hidráulico servoassistido, duplo circuito em diagonal, dianteiro a disco ventilado, traseiro a tambor autoajustável. Freio de estacionamento mecânico agindo sobre as rodas traseiras, com acionamento por alavanca entre os bancos. Rodas e pneus: rodas de liga-leve (opcional) 5 1/2 J x 14, pneus 185/65 R 14 G sem câmara. Dimensões: comprimento total 4.354 mm; largura 1.702 mm; altura 1.457 mm; distância entre-eixos 2.543,5 mm; bitola dianteira/traseira 1.426/1.404 mm; altura livre do solo 150 mm. Capacidades: combustível, 70 litros; motor com filtro, 5,35 litros; porta-malas, 552,4 litros (medido com esferas de 50 mm de diâmetro). Pesos: em ordem de marcha 1.255 kg; carga útil, 400 kg. Sistema elétrico: 12V, alternador 55A, bateria 54 A.h.

Os números do teste

.Aferição do velocímetro (%)

 

MONZA

TEMPRA
Velocidade indicada
(km/h)
Vel. real
(km/h)
Erro
(%)
Vel. real
(km/h)
Erro
(%)
40 37,7 6,1 37,8 5,8
60 56,7 5,8 58,2 3,1
80 77,4 3,3 78,6 1,7
100 96,2 3,9 97,9 2,1
120 115,9

3,5

119,2 0,6

Consumo médio (km/l)

Velocidade real (km/h)

MONZA

TEMPRA

80

13,9

14,7

100

11,7

12,6

120

10,2

11,2

Média

9,0

8,9

Aceleração (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h) MONZA TEMPRA
.........................0  -  40 3,3 2,9
.........................0  -  60 5,8 4,9
.........................0  -  80 8,4 7,5
0  -  100 13,0 12,2
0  -  120 18,4 16,8

Velocidade máxima na pista de testes (km/h reais)

  MONZA

TEMPRA

Média de 4 passagens 174,3 183,1
Melhor passagem 175,0 183,7

Retomada de velocidade (tempo em segundos)

Var. velocidade real
(km/h)
Marcha
usada
MONZA TEMPRA
.................40 - 60 10,5 8,9
.................40 - 80 19,5 17,8
40 - 100 29,5 26,7
40 - 120 38,9 35,8

Espaço de frenagem (metros)

Var. velocidade real (km/h)

MONZA

TEMPRA

...........................40 - 0

5,7

5,1

...........................60 - 0

14,2

14,1

...........................80 - 0

26,1

28,4

100 - 0

43,4

46,6

120 - 0

57,0

67,4

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