Monza Clube

Patrocinadores Classificados Agenda de Eventos Novidades Imprensa Notícias GM Facebook

..

..
Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

.

Monza Classic 2.0i 500 EF

(Edição nº 43, fevereiro de 1990)

.

Na aparência, é um Monza quatro portas, talvez um pouco mais equipado que os modelos mais conhecidos. Porém, debaixo do capô está a certeza de que não é um carro comum. Com exclusividade, OFICINA MECÂNICA teve oportunidade de andar no novo Monza Classic 2.0i "500 EF", uma série limitada de 5.000 carros, os primeiros da GM equipados com injeção eletrônica de gasolina, além de outros acessórios inovadores e sofisticados. Tudo faz parte da corrida tecnológica do Brasil em direção à eletrônica. Um ano depois que o Gol GTI chegou às ruas, e praticamente junto com o lançamento do Santana Executivo _ambos com injeção eletrônica de combustível e mostrados em primeira mão por OFICINA MECÂNICA_ agora, pela primeira vez, um produto General Motors brasileiro tem este equipamento, que confere ao Monza novo rendimento e muito status. Esse carro, que terá apenas versão quatro portas, traz as iniciais "EF", de Emerson Fittipaldi, e "500", de 500 Milhas de Indianápolis.

Este modelo reúne todas as qualidades do Monza, mais o luxo da versão Classic. Porém, a dirigibilidade é muito superior, com o motor respondendo a qualquer solicitação com incrível suavidade, baixo índice de ruídos e melhor consumo de gasolina. Como em todo motor com injeção de combustível, o Monza Classic 2.0 "500 EF" trabalha sem trancos, hesitações ou "buracos" comuns na carburação.

Dirigi-lo é uma experiência agradável, reduzindo a necessidade de passar para marchas inferiores nas retomadas de velocidade, como realmente acontece nas ultrapassagens, por exemplo. Seu motor é o mesmo 1 .998 cc (86mm x, 86mm) dos demais Monza 2.0, mas a injeção de combustível resultou em 116 cv de potência a 5.400 rpm, seis cv a mais que a versão a gasolina com carburador.

O motor A injeção

O torque é 0,5 kgfm superior _passou de 17,3 para 17,8 kgfm, à mesma rotação: 3.000 rpm. Curiosamente, a rotação de potência máxima baixou de 5.600 para 5.400 rpm, indicando uma curva de torque mais suave. O sistema de injeção é o Bosch LE-Jetronic (o mesmo dos VW), mas sem ignição mapeada. Estas características do motor possibilitaram manter o escalonamento de marchas dos Monza normais, do tipo 4 + E (quatro marchas de velocidade e uma quinta mais longa, de economia), conceito que beneficia a utilização do veículo em viagens longas. A 160 km/h em quinta marcha, por exemplo, o motor está a apenas 4.200 rpm. Por ser ainda um modelo pré-série, não foi possível fazer as medições de OFICINA MECÂNICA, mas a velocidade máxima, segundo o fabricante, está em torno dos 180 km/h.

Luxo

O Monza Classic 2.0i 500 EF está mais para um confortável carro de passageiros do que para um modelo esportivo, a começar pelos pneus de perfil 70 colocados em aro de 13 polegadas. O Santana Executivo, seu concorrente direto, usa pneus 195/60 - 14, que permitem melhor performance em curvas e maior segurança para trafegar a altas velocidades, resistindo a até 210 km/h. Em compensação estes pneus da série 60 deixam o carro mais "duro". Já os pneus da série 70 do Monza são mais altos e macios, e além de "dobrarem" muito em curvas, prejudicando a estabilidade, normalmente resistem apenas a 180 km/h de velocidade. Sua vantagem é a maior maciez ao rodar.

No interior, o Monza tem bancos de couro preto envolventes. O mesmo material é aplicado nas laterais de porta e recobre o volante. Os tapetes tém as iniciais "500 EF" aplicadas e a grande novidade fica para o rádio/toca-fitas Motorádio AC Delco removível, com alça para retirada do aparelho e transporte. Ao ser puxado do painel, o aparelho desliga-se automaticamente, a antena elétrica abaixa, mantendo na memória as emissoras programadas, devido a uma pequena bateria no interior do rádio. Por isso, o equipamento dispensa códigos de segurança para sua utilização.

Toca-fitas com frente removível

Bancos em couro

Externamente, o Monza EF não chama muito a atenção, e isso foi notado no período em que rodamos com ele: a diferença visual dele para um Monza "comum" é apenas o pequeno aerofólio (mais discreto qué o do Santana Executivo) que, como todos os casos semelhantes, tem efeito bem mais decorativo que aerodinâmico, e finos filetes nas laterais. As lanternas traseiras maiores (normais do Classic) dão um toque mais moderno ao carro: além de deixarem a traseira mais "cheia", são filetadas em preto, o que dá a impressão de serem fumê, bastante em moda atualmente. Como identificações, apenas a letra "i" (de injeção) ao lado do 2.0, e os "500 EF" nas laterais.

Como opcional, pode-se escolher apenas a pintura metálica, pois o resto dos equipamentos é normal de série: computador de bordo, alarme anti-furto, regulagem de altura do volante, rádio toca-fitas estéreo com quatro alto-falantes, abertura elétrica do porta-malas, direção hidráulica, bloqueio central e ar condicionado.

Porém, esperava-se do Monza Classic _ainda mais em série especial_ detalhes mais sofisticados, como forração de teto pré-moldada, cintos de segurança traseiros de três pontos (afinal, muitos irão utilizar o carro com motorista), limpador/lavador de faróis, rodas exclusivas e quebra-sol com espelho iluminado. Há quem aprecie, por exemplo, o teto-solar, item que não é disponível, da mesma forma que o Monza não tem regulagem de altura do assento dos bancos dianteiros, como no Kadett. E numa versão sofisticada como a "500 EF", os fechos dos cintos de segurança poderiam ser fixados aos bancos _ao invés de no assoalho_ facilitando seu uso.

O carro conta com luz de segurança para neblina embutida na lanterna traseira esquerda, introduzida no esportivo Monza S/R (já fora de linha), e que agora equipa os Monza Classic e Kadett GS. Trata-se de um item de real utilidade ao trafegar sob neblina ou chuva, e pode evitar uma batida pela traseira. Também os faróis de neblina estão corretamente localizados, embutidos no spoiler e abaixo do parachoque, como devem ser para maior eficiência.

Ignição mapeada

Com a chegada da eletrônica aos automóveis, já existem novas opções para controlar o avanço da ignição, levando em conta outros dados além da rotação do motor e da posição da borboleta do carburador. Para melhor conciliar potência, baixo consumo e menores emissões de poluentes pelo escapamento, difunde-se cada vez mais a injeção de combustível por controle eletrônico, aprimorando o chamado gerenciamento de combustível. Mas, para tirar proveito mãximo desses eftcientes sistemas de injeção, a indústria automobilística passou a contar com sistemas de ignição sofisticados, a partir da década de 80, onde o disparo da centelha em cada vela de ignição passou a ser comandado por uma unidade microprocessadora, em função de determinadas informações fornecidas pelo motor em funcionamento.

As necessidades de avanço de ignição de um motor são estabelecidas no banco de provas (dinamômetro). Com esses dados, o fabricante de sistemas de ignição projeta o microprocessador e seus meios de informação, de modo a atingir todas as exigências do motor. Estas necessidades, representadas graficamente, assemelham-se a um mapa em alto relevo, surgindo daí o nome "mapeada".

É o caso da ignição EZ-K, da Bosch, usada pela Volkswagen em seus carros com injeção eletrônica (Gol GTi e Santana Executivo) que, entre outras características, promove o retardo imediato de 740 no avanço da ignição sempre que houver detonação ("batida de pino"), voltando ao valor inicial de avanço aos poucos, de dois em dois graus.

Por isso, o uso de ignição mapeada permite que se trabalhe com motores de taxa de compressão mais alta e gasolina de menor octanagem, pois as prejudiciais "batidas de pino "são eliminadas. Esta é a razão para que os motores VW 2000 (do Gol GTi e Executivo) tenham rendimento melhor que os GM, pois ambas utilizam a mesma injeção, mas a VW conta ainda com a ignição mapeada, inexistente nos Monza.

Monza  x  Santana

É mais que óbvio: a GM não iria ficar atrás de sua maior rival, a Volkswagen, O Monza Classic 2.0i 500 EF é a resposta aos modelos com injeção eletrônica de combustível da Volkswagen: o Gol GTi e Santana Executivo.E a associação promocional com o nome de um talento como Émerson Fittipaldi mostra que a GM pensa em entrar com força nesta nova fase da indústria automobilística brasileira, onde o carburador começa a se tornar obsoleto.

Aos poucos, o consumidor brasileiro começa a exigir maior sofisticação nos automóveis nacionais. A sensação de ver o combustível do tanque render o máximo possível, associada a uma resposta incrivelmente rápida aos comandos do acelerador, certamente expandirá o mercado dos automóveis de alto luxo (e preço) além do Gol GTi, Santana Executivo e Monza 2.0i, pois o brasileiro típico exibe forte gosto por novidades.

O Monza conta com um pequeno trunfo em relação ao Santana Executivo: o preço. Informações não oficiais dão conta de que o Monza com injeção custará cerca de 50% a 60% mais que o Monza Classic com todos os opcionais, enquanto o Santana Executivo custará no mínimo 60% do preço da versão GLS, da qual se origina. Como são modelos equivalentes em tamanho e acabamento, o Monza deverá custar cerca de 10% mais barato que o Santana.

Conclusão

O Monza 2.0i "500 EF" chega em bom momento no mercado _quando surgem críticas violentas quanto à idade tecnológica dos nossos carros_ provando que as indústrias automobilísticas nacionais têm condições de manter a competitividade se existirem condições para isso. Como a recente "volta" à gasolina que, possibilita o emprego imediato de tecnologia eletrônica de ponta nos sistemas de alimentação de combustível, algo não tão simples quando se trata de álcool combustível.

Com aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 11 segundos, velocidade máxima em torno dos 180 kmlh _praticamerite as mesmas marcas do Monza 2.0 a álcool_ o Monza 2.0i "500 EF" deverá custar cerca de 50% a mais que o Monza Classic de que origina. Para um carro de grande sucesso no Brasil, a injeção eletrônica deverá agradar seus admiradores, e muito. Afinal, o Emerson recomenda...

Monza Clube do Brasil - Todos os direitos reservados