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Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Monza, álcool ou gasolina?

(Edição nº 32, março de 1989).

Testamos o Monza SL/E 1.8 quatro portas, álcool e gasolina, para verificar as diferenças de consumo, desempenho e custos entre os dois combustíveis. Os dois motores testados tinham a mesma potência máxima, 95 CV, mas o a gasolina mostrou ser mais econômico.

Até bem pouco tempo, dois vizinhos encostavam toda semana no mesmo posto de abastecimento de combustível, om automóveis aparentemente idénticos: dois Monza SL/E 1.8. Uma grande diferença, porém, aparecia na hora de pagar pelo combustível: um deles desembolsava bem menos dinheiro para encher o tanque, apesar de terem percorrido praticamente a mesma distância durante a semana.

Aquele que gastava menos não conseguia disfarçar uma pontinha de satisfação e orgulho: ele era um dos muitos brasileiros que "levava vantagem" com seu automóvel a álcool, pagando menos por litro deste combustível. Mas chegou a hora daquele que sempre gastou mais com a gasolina poder sentir-se em ligeira vantagem. No dia 14 de janeiro, o álcool sofreu aumento de preço bem maior do que a gasolina, praticamente eliminando as vantagens econômicas de se ter um automóvel que não dependesse das crises mundiais do petróleo.

Muito se fala em vantagens e desvantagens do carro a álcool, mas o melhor a fazer é comparar diretamente as duas versões de um mesmo modelo. Os carros testados desta vez, dois Monza SL/E 1.8, quatro portas, são absolutamente idênticos em relação a equipamentos instalados, consequentemente iguais também no peso total, mas com a diferença fundamental de um usar gasolina e o outro usar álcool como combustível. Todas as diferenças de desempenho entre eles, então, resultam apenas desse fato.

As diferenças de desempenho

Tanto por fora quanto por dentro os dois Monza são exatamente iguais, com exceção da cor: azul metálico (álcool) e vinho (gasolina). Os equipamentos de série e opcionais também sáo os mesmos: vidros elétricos, espelhos retrovisores externos elétricos, travas das portas automáticas, direção hidráulica e ar condicionado, entre outros. O modelo SL/E, apesar de não ser o mais luxuoso da linha (esse mérito fica com o Classic), esbanja conforto.

Em seu interior, a posição de dirigir é muito boa, e a linha inferior dos vidros fornece ao motorista a sensação de total controle _reforçado pela coluna de direção de altura regulável_,devido à ótima visibilidade em todas as direções. O painel é completo e funcional, com exceção apenas dos controles do ar condicionado, confusos e limitados. Os instrumentos são bonitos e de fácil leitura. Os bancos dianteiros, de boa posição e regulagem, têm um detalhe interessante: são os mesmos da versão duas portas, podendo ser rebatidos para a frente (com "travinha" e tudo).

Ao ligar o motor pela primeira vez começam-se a notar as diferenças entre os Monza a álcool e gasolina. Enquanto o primeiro pega fácil, auxiliado pelo sistema de partida a frio, mas tem que aquecer por alguns minutos até poder rodar, o outro começa a funcionar imediatamente, mesmo sem uso do afogador. Depois de aquecidos, o funcionamento de ambos é igual, não se notando grandes diferenças. Mas elas existem: ironicamente, a sensação era de que o modelo a gasolina estava "mais solto", rendendo mais, apesar de ter sua potência máxima em rotação maior e menor torque. As sensações igualavam-se, porém, quando o ar condicionado era ligado, pois ambos pareciam ser literalmente "freados". O fato é que o motor do Monza 1.8 ''sente" quando o climatizador é utilizado.

A vantagem sutil do Monza a gasolina foi comprovada durante as medições, quando ele atingiu a velocidade máxima, medida em média de quatro passagens, em quarta marcha, de 162,7 km/h (melhor passagem de 165,3 km/h). O Monza a álcool, por sua vez, atingiu a velocidade máxima de 158,6 kmlh (melhor passagem de 162,6 km/h). A razão desta diferença, que se existe normalmente é a favor do carro a álcool, pode ser explicada por diversos fatores, como, por exemplo, uma melhor adequação da relação final de quarta marcha, igual nas duas versões, mas com consequências diversas quando as potências máximas acontecem em rotações diferentes. Ou, ainda, pela ''sorte" quando um automóvel sai da linha de montagem melhor "afinado" do que outro, sem que isto seja premeditado.

Por outro lado, no teste de retomada de velocidade, realizado em quinta marcha, o maior torque do Monza a álcool conferiu-lhe melhor desempenho do que na versão a gasolina, em todas as velocidades. Na aceleração, os resultados com vantagens alternadas não apontaram exatamente ''o melhor em arrancadas"; os dois equipararam-se.

Monza x Monza

O motor do Monza SL/E 1.8 é basicamente o mesmo tanto na versão a álcool quanto na versão a gasolina: quatro cilindros em linha, montado transversalmente na dianteira, refrigerado a água e com comando de válvulas único no cabeçote. A cilindrada exata desse motor é de 1.796cc, com pistões de 84,8mm de diâmetro e 79,5mm de curso, e sistema de admissão e escapamento tipo cross-flow (fluxo cruzado). Esse sistema significa que a admissão da mistura é feita por um dos lados do motor e o escapamento por outro, dinamizando o fluxo e resultando em alguns "cavalos" a mais.

A potência máxima desenvolvida por esse motor, tanto na versão a álcool quanto na a gasolina, é a mesma, 95 CV, contrariando a regra geral de que a versáo a álcool de um mesmo motor desenvolve potência um pouco maior do que o a gasolina. Tecnicamente é possível, e o Monza é uma prova disso. Mas, a fábrica optou pelo pico de potência a uma rotação um pouco menor e com torque mais elevado na versão a álcool.

Desse modo, o Monza a álcool tem potência máxima de 95 CV a 5.600 rpm contra os mesmos 95 CV, mas a 5.800 rpm do Monza a gasolina. Os torques máximos são, respectivamente, de 15,1 kgf.m e 14,3 kgf.m, situados à mesma rotação, 3.000 rpm.

Uma outra diferença importante entre o Monza a álcool e o Monza a gasolina está no sistema de alimentação. Ambos possuem carburador de duplo corpo e fluxo descendente, mas a presença da água no álcool exigiu tratamento especial de níquel químico no corpo do carburador do motor a álcool. A taxa de compressão é de 8,8:1 no motor a gasolina e de 11,7:1 no motor a álcool. A maior taxa de compressão é necessária para compensar o menor poder energético do álcool, aproveitando sua maior capacidade antidetonante em relação à gasolina (isso significa que o álcool pode ser mais comprimido do que a gasolina antes que ocorra a pré-ignição).

Em relação ao restante das especificações mecânicas do Monza SL/E 1.8, não existem diferenças entre a versão a álcool e a versão a gasolina, com exceção da bateria, normalmente de 36 Ah e de 42 Ah, respectivamente, e do alternador, de 35 A e de 45 A. A maior capacidade da bateria e a maior potência do alternador da versão a álcool devem-se ao fato de com álcool o motor ter maior dificuldade no início do funcionamento em manhãs frias, consumindo maior tempo de utilização do motor de partida. No caso dos dois modelos testados, tanto a bateria quanto o alternador tinham as mesmas capacidades, pois ambos contavam com o opcional do ar condicionado, que exige uma bateria de 54 Ah e um alternador de 65 A.

A versão a álcool tem ainda o conhecido sistema de partida a frio, composto de um injetor de gasolina no carburador. Mas, mesmo com esse equipamento extra, o peso total de ambas as versões, em ordem de marcha (declarado pelo fabricante), é o mesmo 1.030 kg.

Vantagem ou não?

O que mais importa nesta avaliação, e o que mais se comenta atualmente em função da política adotada em relação aos combustíveis, é o teste de consumo. Em termos absolutos, basta verificar os resultados para perceber a vantagem nítida da gasolina sobre o álcool. Enquanto o Monza 1.8 a álcool percorre 11,9 km com um litro de combustível, o Monza 1.8 a gasolina percorre 17,4 km com a mesma quantidade (à velocidade constante de 60 km/h, em quinta marcha, em condições favoráveis e iguais para os dois veículos). A 40 km/h e em quarta marcha, a diferença passou para 9,9 km/litro de álcool contra 12,2 km/litro de gasolina. Em todas as velocidades, a diferença entre o consumo de álcool e o de gasolina variou entre 30% e 50% a favor da gasolina. Finalmente, o teste de frenagem apontou diferenças apenas porque o modelo a gasolina apresentou fadiga de freios (fading) prematura durante as medições. E devido ao mesmo peso e características dos dois carros, podem-se tomar os resultados do modelo a álcool como padrão para os dois, sem grandes erros.

Uma análise fria das duas versões do automóvel que está entre os mais vendidos no Brasil não pode determinar exatamente qual o melhor; é necessário examinar também outros parâmetros, como preço de compra, impostos, manutenção, valor de revenda e, é claro, o custo do quilômetro rodado. Quanto ao último item, o maior consumo do carro a álcool já foi plenamente compensado, e com sobras, pelo menor preço deste combustível. Mas hoje, mesmo com o apuro tecnológico do motor a álcool, a redução da diferença de preço dos dois combustíveis está deixando pouquíssimas, ou quase nenhuma, vantagens para o usuário do carro a álcool.

Com a diferença de 25% no preço do litro do álcool e da gasolina (respectivamente NCz$ 0,34 e NCz$ 0,44 já incluído o recente imposto municipal), para haver equilíbrio nos custos do quilômetro rodado, o carro a álcool deveria ter, no máximo, um consumo 25% maior. Mas isso não acontece sempre. Neste teste há diferenças de consumo de até 50%. Deve-se levar em conta, então, o preço total do carro em fevereiro de 89 (NCz$ 15.791,10 para o Monza SL/E 4 portas sem opcionais, a álcool, e NCz$ 15.883,91 para o Monza SL/E 4 portas sem opcionais, a gasolina), o preço do IPVA (imposto estadual) para o modelo zero km (NCz$ 65,34 para o Monza a álcool e NCz$ 151,14 para o Monza a gasolina), manutenção normal (maior e mais cara para o álcool) e o valor de revenda (com o aumento gradativo do preço do álcool, o interesse pelo carro a gasolina vai crescendo, depreciando o carro a álcool).

Não é uma análise fácil, mas deve ser levada em consideração na hora de escolher entre o Monza SL/E 1.8 a álcool ou a gasolina. Se muitas escolhas recaírem na versão a gasolina, isso significa que foi iniciado o fim da era do álcool como combustível.

Qual é o melhor?

Sob o ponto de vista energético, a gasolina é mais potente do que o álcool cerca de 30% ou, em termos mais técnicos, o álcool tem menor poder energético (calorífico) do que a gasolina. Para compensar essa diferença, os motores a álcool necessitam de cerca de 30% a mais de combustível no volume misturado com o ar no carburador do que o motor a gasolina. É por esse motivo que o consumo do carro a álcool é cerca de 30% maior do que o do carro a gasolina.

Por outro lado, o álcool tem uma octanagem relativa (diz-se relativa pois, na verdade, o álcool não é um composto orgânico, como a gasolina) maior do que a da gasolina, permitindo taxas de compressão bem maiores nos motores. Por isso, normalmente, o motor a álcool desenvolve potência maior do que o mesmo motor a gasolina.

No início da década, quando começaram a surgir os automdveis a álcool, a diferença de preço entre os dois combustíveis chegou aos 47%, como forma de compensar o maior consumo e incentivar o uso do carro a álcool. Por um bom tempo, essa diferença manteve-se alta, até cair para 31%, com a justificativa de que os motores a álcool tiveram significativo aumento de rendimento em relação aos primeiros. Mas a redução dessa diferença para 25%, no último reajuste, levanta a hipótese de que os preços tendem a se equiparar. Uma vez que nunca será possível igualar o consumo dos dois motores, é até justificável o temor geral que se formou em torno do álcool como combustível.

Muito sucesso em todo o mundo

Desenvolvido para ser o carro mundial da GM nos anos 80, o "Projeto J", conhecido pelos brasileiros como Monza, foi bem sucedido em todos os mercados em que competiu. Para que isso acontecesse, o "Projeto J" teve que sofrer adaptações para que se adequasse a cada situação de mercado. Assim, nos EUA, por exemplo, foram fabricados o Buick Skyhawlr, o Pontiac Sunbird, o Oldsmobile Firenza, o Cadillac Cimarron e o Chevrolet Cavalier. Na Europa, surgiram o Vauxhall Cavalier (na Inglaterra) e o Opel Ascona alemão. No Japão, foi produzido o Asca; na África do Sul, o Cavalier (feito na Alemanha e montado lá); na Austrália, o Holden Camira e no Brasil, o Monza. Todos esses veículos, embora diferentes em pequenos detalhes, nasceram da mesma estrutura e conceito.

Como foi um projeto de 1981 (na Europa), o "'Carro J" já vem sentindo os oito anos que se passaram, pois a concorrência (no Extenor) lançou modelos mais potentes, aerodinâmicos e econômicos. Alguns exemplos dos concorrentes fortes do "J" no mundo todo são o Rover 820i, o Audi 80 1.8E, o Ford Sierra 2.01 e ainda o Renault 21 TXE e o Peugeot 405 GTX. No Brasil, seus maiores concorrentes são carros de mesma faixa de preço _e não de tamanho_ ao contrário do que acontece no resto do mundo: o Santana (que também foi concorrente do "J" na Europa, sob o nome Passat), Del Rey, Opala e até mesmo Escort.

Para 1988, a GM _através de uma de suas divisões, a Opel alemã_ preparou um projeto totalmente novo, denominado Vectra. Esse carro é o substituto do "J", e apresenta ampla gama de motores opcionais, desde 1.400cc de cilindrada com carburador, até 2.000cc com injeção eletrônica de combustível, existindo ainda versão com tração total (4X4) opcional. Para a GM, esse é o futuro em termos de carro mundial; só resta saber quando, no Brasil, este futuro se tornará realidade.

Como atualizar seu Monza

Quem tem um Monza fase II (fabricado da metade de 1985 para cá) pode transformá-lo em modelo 89. Para isso, as modificações necessárias são as seguintes: na dianteira, trocar faróis, grade e colocar spoiler de poliuretano injetado. Nas laterais, é colocado um friso protetor mais largo (semelhante ao do Monza Classic até 87) e pinta-se a saída de ar localizada na "Coluna C" (a coluna traseira) na cor do carro. Na traseira, pintam-se filetes pretos nos rebaixos da superfície da lanterna, no sentido horizontal, em toda a extensão Com essas modificações, os Monza fase II ficarão com a aparência do SL/E 89.

Se a intenção for transformar o carro num Classic 89, as modificações são as seguintes: na dianteira, as mesmas indicadas para o SL/E, com acréscimo de pintura _da cor do carro_ na grade, e colocação de um par de faróis de neblina sob o párachoque. Nas laterais, friso mais largo, exclusivo do Classic. Na traseira, instalação de um par de lanternas _de desenho exclusivo também_ com os devidos refletores adicionais, dando a impressão de serem maiores do que realmente são.

No Monza Hatch, a transformação mais vantajosa é para a versão S/R. A parte frontal recebe as mesmas transformações do SL/E, com o acréscimo do par de faróis de neblina; na lateral, também as mesmas para o SL/E, porém os frisos laterais são com filetes vermelhos, e colocação de mais um friso inferior (minissaias) na caixa de ar do carro em toda a sua extensão. Vale lembrar que todas essas mudanças são em nível estético, sem alterar a parte interna. Resta ainda saber que os Classic e S/R têm vidros verdes e dianteiro degradé "de fábrica", bem como desembaçador no vidro traseiro e limpador do vidro traseiro na versão S/R, mais rodas exclusivas de aro 14 no S/R e aro 13 no Classíc.

Os números do teste

Aferição do velocímetro (%)

 

ÁLCOOL

GASOLINA
Velocidade indicada
(km/h)
Vel. real
(km/h)
Erro
(%)
Vel. real
(km/h)
Erro
(%)
40 35,7 10,8 37,8 5,4
60 56,3 6,2 54,4 9,3
80 76,0 5,0 72,0 10,0
100 95,2 4,8 92,1 7,9
120 113,5

5,4

112,5 6,2

Consumo médio (km/l)

Velocidade real (km/h)

ÁLCOOL

GASOLINA

60

11,9

17,4

80

10,6

16,0

100

9,5

14,1

120

8,5

11,8

Aceleração (tempo em segundos)

Var. velocidade real (km/h) ÁLCOOL GASOLINA
0  -  40 3,1 3,2
0  -  60 6,4 5,5
0  -  80 8,4 8,6
...0  -  100 12,8 12,5
  0  -  120 18,6 18,5

.Velocidade máxima na pista de testes (km/h reais)

  ÁLCOOL

GASOLINA

Média de 4 passagens 158,6 162,7
Melhor passagem 162,6 165,3

Retomada de velocidade (tempo em segundos)

Var. velocidade real
(km/h)
Marcha
usada
ÁLCOOL GASOLINA
40 - 60 6,9 7,9
40 - 80 14,8 17,5
..40 - 100 24,5 26,7
..40 - 120 34,8 37,1

Espaço de frenagem (metros)

Var. velocidade real (km/h)

ÁLCOOL

GASOLINA

....40 - 0

6,9

7,3

...60 - 0

16,9

17,2

...80 - 0

28,5

29,9

100 - 0

48,6

50,1

120 - 0

64,5

66,7

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