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Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Monza, uma história de sucesso

(Edição nº 23, 1988).

Ele tem seis anos de mercado. E uma história de vendas maior do que muitos carros antigos ou clássicos

Para ter história, um automóvel não precisa ser um modelo clássico e muito menos ser antigo. O Monza está aí para provar que isso é verdade. Afinal, em apenas seis anos de fabricação no Brasil, esse modelo da General Motors já vendeu 430 mil carros, metade da comercialização do Opala em 20 anos de produção. Ainda por cima, o Monza foi líder de vendas por diversos períodos e conquistou três vezes o título de "Carro do Ano", inclusive este ano, eleito pelos jornalistas especializados.

A história do Monza tem suas origens por mais incrível que possa parecer na própria história do Chevette. Por volta de 1972, a Opel, divisão GM da Alemanha, foi escolhida como base para o desenvolvimento do carro mundial da GM, o Chevette (conceito que permite a construção do mesmo modelo em vários países e com intercãmbio de peças). Com ligeiras alterações, o carro seria fabricado inicialmente no Brasil (sedan), Inglaterra (hatch) e Argentina (quatro portas). Porém, a crise do combustível surgiu em 73 e o projeto foi arquivado como conceito de carro mundial. O Chevette passou a ser fabricado apenas no Brasil e Argentina.

Sem que ninguém esperasse, esse carrinho recuperou seu caminho e foi fabricado em diversos países, o que garantiu à GM uma nova força para reinvestir em carros mundiais. Em 1979, a Opel voltou a sediar um novo projeto de carro mundial, desta vez chamado "Carro J", ou seja, o nosso Monza. Esse projeto previa uma família de veículos totalmente nova: hatch, sedan e perua, com duas e quatro portas. Como o Brasil havia conquistado um bom conceito de fabricante de motores junto à matriz alemã, acabou "premiado": a GM brasileira faria todos os motores do "Carro J", para suprir o mercado nacional e todos os demais mercados mundiais. Inclusive, esse motor (de 1 .600cc) iria equipar alguns outros carros da GM nos EUA, como o Pontiac. Assim, a mecânica brasileira do Monza "mundial" iria para os EUA, Inglaterra, Japão, África do Sul e Austrália.

Como no final da década de 70 a moda no Brasil era o estilo hatch, este tipo de carroceria foi escolhido para ser o primeiro da família Monza a ser lançado aqui. E assim foi. Em abril de 1982, o primeiro Monza deixou a linha de montagem da fábrica de São Caetano (SP). Era equipado com motor de 1.600cc de cilindrada, transversal, tração dianteira, câmbio de quatro ou cinco marchas importado da lsuzu do Japão, suspensão dianteira independente e traseira bastante moderna, sem contar o estilo _moderno e aerodinâmico, ampla área envidraçada e grande espaço interno. Neste primeiro ano (1982) foram vendidos 33.745 carros no mercado interno e 127 unidades exportadas para alguns países da América Latina, como Colômbia e Venezuela. Ainda em 1982 surgiu uma outra versão de motor para o Monza: o 1.800cc, semelhante ao motor 1.6, porém com alterações no diâmetro do cilindro e no curso do virabrequim. Assim, começou a existir a opção de motores 1.6 e 1.8 para os Monza.

Em 1983, devido ao grande sucesso de vendagem, a GM promoveu diversos lançamentos na linha Monza: em março surgiu o sedan quatro portas, com carroceria de três volumes. Esse modelo procurava romper o conceito de que "carro de quatro portas é taxi", afinal era um carro luxuoso, e nada mais conveniente do que quatro portas para caracterizar esse tipo de modelo. Completando este ajustamento de mercado, foi lançado em setembro de 83 o Monza duas portas, para satisfazer o consumidor mais conservador.

Com três tipos de carroceria _hatch, sedan duas portas e sedan quatro portas_, os Monza contavam, na época, com dois tipos de acabamento: o básico e o SL/E, e mais dois tipos de motores, de 1.600 ou 1.800cc, álcool ou gasolina. Nesse ano de 1983 as vendas do Monza passaram a preocupar seus concorrentes, e ele terminou o ano como 55.090 carros vendidos no Brasil e 61 unidades no mercado externo.

Até 1985, apenas as alterações normais de mudança de ano, como acabamento interno, cores e introdução de detalhes: vidros elétricos, bloqueio central, ar-condicionado e direção hidráulica, mais um enorme pacote de itens opcionais que poderia até mesmo dobrar o preço do carro. No meio do ano de 1985, um deslize que desagradou muitos consumidores. Quem explica é Francisco Nelson Satkunas, gerente de Vendas-Sul da empresa, que participou inclusive do desenvolvimento do "Carro J" na Alemanha. "Estávamos com alterações previstas para 1986, mas o fornecimento de peças novas e o final de estoque das anteriores acabaram nos forçando a lançar essas alterações ainda no meio de 85. E como eram mudanças visuais, acabaram provocando muitas reclamações dos clientes que haviam comprado o carro do ano. Afinal, havia o Monza 85, e o Monza 85 e meio, que valia mais que o outro. Mas as mudanças eram inevitáveis e inadiáveis, pois os concorrentes estavam muito sofisticados", explicou Satkunas.

O Monza "85 e meio", ou "Fase II", como a fábrica o chama oficialmente, tinha as seguintes diferenças em relação ao anterior: espelhos retrovisores externos redesenhados, painel de instrumentos mais completo, acabamento e revestimento internos trocados, pisca da lanterna traseira na cor laranja, grade de refrigeração nova e outros pequenos detalhes que, quando somados, provocavam ira nos compradores do modelo "apenas 85".

Completando a família em 85, o Monza ganhou sua versão esportiva, o S/R 1.8, com carroceria hatch, rodas esportivas e detalhes que caracterizam este tipo de carro. Nesse motor, de 1.800cc de cilindrada, foram introduzidas mudanças no carburador (corpo duplo) e coletor, mais sistema de escapamento. Com isso, o carro ficou com velocidade máxima de 180 km/h, segundo o fabricante, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 11 segundos e 106 CV de potência. Atualmente, o S/R só é disponível na versão de 2.000cc de cilindrada, a álcool, com carburador de corpo duplo e 110 CV de potência a 5.600 rpm, o que rende, conforme o fabricante, cerca de 185 km/h de velocidade, sem diferenças para os motores do SL/E e Classic.

Mais lançamentos

Até 1985, o Monza já alcançara a marca de 251.040 veículos vendidos, tanto no Brasil como no Exterior, através de exportações. Em 1986, logo em janeiro, foi lançado o Classic, a versão top da linha, com detalhes de acabamento bastante luxuosos, com ar-condicionado, câmbio automático, direção hidráulica e acabamento bastante diferenciado das demais versões. O câmbio, por exemplo, é o modelo THM 125, da Hidramatic Division da GMC, que equipa diversos modelos, inclusive de outras marcas, em todo mundo.

Em setembro de 1986, o último lançamento da linha Monza: o motor de 2.000cc de cilindrada, que fornece mais torque e proporciona maior economia de combustível: são 110 CV a 5.200 rpm, contra 95 CV a 5.600 rpm do motor 1.8. Neste ano, o Monza bateu seu recorde de produção, com 81.960 carros para o mercado interno, 397 exportados montados e mais 10.955 exportados CKD (desmontados). No ano passado (1987) nenhuma mudança básica, pois o carro continua a vender bem.

Para a linha 88, a GM introduziu pequenas alterações em seus carros. Pára-choques, spoilers, rodas, lanternas traseiras e detalhes de acabamento foram mudados. A principal alteração mecânica ficou por conta de uma coluna de direção regulável em cinco posições. E agora o Monza tem as seguintes versões: SL, SL/E, Classic e S/R, todas com opção de motor 1.8 ou 2.0 litros. Uma curiosidade foi a espécie de uniformização de linha que a GM promoveu: o sucesso e boa imagem do Monza são tão marcantes que agora todos os carros das linhas Opala e Chevette são parecidos com o Monza.

Atualmente, o Monza, ou "Carro J", é fabricado em diversos países ou exportado para outros mercados, ainda numa primeira geração, mas com as alterações que cada tipo de mercado exige. Assim, encontramos o mesmo Monza travestido de Cadillac Cimarrom, Chevrolet Cavalier, Pontiac J-2.000 e Buick Sky Hawk, nos Estados Unidos; Aska, no Japão; Camira, na Austrália; Ascona, na Alemanha e toda Europa e Vauxhall Cavalier, na Inglaterra. Alguns diferem na motorização, outros no acabamento e outros ainda na parte estética, mas praticamente é o mesmo carro em todo mundo.

E qual será o futuro desse carro, que em seis anos tirou o sono dos concorrentes e se transformou na  aspiração de muitos motoristas brasileiros? Segundo Satkunas, a longevidade do Monza está garantida não só pelo potencial que o carro ainda tem. "A garantia do sucesso do Monza em todo mundo se deve ao fato de além de ser um bom veículo, seu projeto ter nascido como um todo, nada foi adaptado ou herdado de outro veículo. Dai a aceitação do Monza, um carro que veio para ficar e fazer história", concluiu.

Porcentagem de vendas
motores e versões
 
  .1982. .1983. .1984. .1985. .1986. .1987.
1.600cc 77,1 85,3 9,8 0,3 0,3 0
1.800cc 22,9 14,7 90,2 99,7 80,6 37,5
2.000cc 0 0 0 0 19,1 62,5
Total 100 100 100 100 100 100
             
SL 33,4 20,3 10,9 8,1 3,3 7,7
SL/E 66,6 79,7 89,1 89,9 82,5 75,3
Classic 0 0 0 0 11,7 15,4
S/R 0 0 0 2 2,5 1,6
Total 100 100 100 100 100 100
             
Gasolina. 73,7 15,6 4,8 2,9 7,5 7,2
Álcool 26,3 84,4

95,2

97,1 92,5 92,8
Total 100 100 100 100 100 100
 
Vendas do Monza
 
Ano Duas portas Hatch Quatro Portas Total Exportação

1982

0. 33.745. 0. .33.745. 127.
1983 15.728. 31.354. 8.009. 55.090. 61.
1984 55.637. 4.497. 10.443. 70.577. 6.805.
1985 61.005. 2.619. 11.616. 75.240. 9.395.
1986 62.471. 3.329. 16.160. 81.960. 11.352.
1987 39.979. 1.365. 12.116. 53.460. 13.608.

Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal; quatro cilindros em linha; comando de válvulas no cabeçote; sistema de admissão e escape tipo croas flow; refrigerado a água; diâmetro do cilindro: 84,8mm (1.800); curso do pistão: 79,5mm (1.800); diâmetro do cilindro: 86,0 (2.000cc); curso do pistão: 86,0mm (2.000cc); taxa de compressão: 8,8:1 (gasolina) e 12,0:1 (álcool). Potência: 95 CV a 5.800 rpm (1.800 a gasolina); 95 CV a 5.600 rpm (1.800 a álcool); 99 CV a 5.600 rpm (2.000 a gasolina) e 110 CV a 5.600 rpm (2.000 a álcool). Câmbio: dianteiro, transversal, alavanca de mudanças no assoalho, cinco marchas à frente sincronizadas (manual) ou três marchas à frente (automática). Procedência: manual (lsuzu, Japão), automática (Hidramatic Division, EUA). Suspensão: dianteira: independente, tipo MacPherson, molas helicoidais de ação linear, braço de controle interior, barra estabilizadora e amortecedores telescópicos de dupla ação. Traseira: molas helicoidais de ação progressiva tipo barril, barra conjugada de geometria fixa combinada com barra de torção e amortecedores telescópicos de dupla ação. Freios: duplo circuito hidráulico, diagonal, auxílio a vácuo, discos ventilados dianteiros com pinças deslizantes sob pinos selados, auto-ajustáveis. Na traseira, tambor auto-ajustável com válvulas equalizadoras de frenagem; freio de estacionamento nas rodas traseiras. Rodas e pneus: rodas de alumínio 5 X 13, pneus radiais de aço 185/70 SR 13 ou 195/60 HR 14 (só no S/R). Carroceria:  monobloco, em aço estampado. Dimensões: comprimento total: 4,366m (sedan e duas portas); 4.264m (hatch). Largura total: 1,668m. Altura: 1,357 (sedan duas e quatro portas); 1.349 (hatch). Distância entre-eixos: 1,406m. Bitolas dianteira e traseira: 1,406m. Peso:  1.010 quilos (SL/E duas portas); 1.030 quilos (SL/E quatro portas); 1.055 quilos (hatch S/R); 1.085 quilos (Classic SE duas portas); 1.105 quilos (Classic SE quatro portas). Sistema elétrico: 12V, 36 Ah, 12V 54 Ah e 12V 42 Ah, conforme as versões e equipamentos. Capacidade do tanque: 61 litros.

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