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Oficina Mecânica

A reportagem a seguir foi cedida e autorizada pela revista "Oficina Mecanica" para publicação exclusiva no Monza Clube. Aproveite para visitar o site da revista clicando na imagem ao lado.

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Transforme seu Monza em Mercedes

(Edição nº 05, setembro de 1986).

 
Lado a lado

É uma Mercedes 190 E. Ou será um Monza quatro portas? Na verdade ê um pouco dos dois: um Monza adaptado para ser uma "Mercedes". Esse carro tem sido visto pelas ruas e sempre chama muita atenção. Afinal, as pessoas ficam curiosas para saber os segredos daquela estranha "Mercedes". E mesmo que fosse uma 190 E original, ela não passaria desapercebida. Símbolo de prestígio e status em todo o mundo, os automóveis Mercedes Benz a têm mais de cem anos de tradição. Além disso, são produzidos com a mais avançada tecnologia e os equipamentos mais sofisticados.

Mas urna Mercedes não é para qualquer um. Primeiro, sua importação é proibida, assim como de qualquer outro veículo estrangeiro. Os poucos modelos que entram no pais vêm através de consulados, trazidos por embaixadores brasileiros a serviço no exterior. Ou por outras restritas brechas legais. Assim, as poucas Mercedes novas disponíveis no Brasil pertencem a um grupo seleto de pessoas que pode dispor de US$ 80 mil (cerca de Cz$ 2 milhões) por um automóvel.

Para preencher essa lacuna do mercado nacional, entre os carros normais de série e os poucos importados que entram no país, surgem os carros adaptados. Como a criação de uma verdadeira Mercedes 190 E, a partir de um Monza quatro portas (3 volumes), aproveitando peças e componentes do próprio carro alemão. Os resultados, tanto estéticos como de preço, são bastante razoáveis: por cerca de 10% do valor de um modelo 190 E, tem-se um Monza adaptado, visualmente bastante semelhante.

"Mercedes"

Várias destas "Mercedes" já podem ser vistas em SP e Rio de Janeiro, onde se localizam as principais empresas que fazem as adaptações. Existem algumas pequenas diferenças entre um modelo e outro como um aerofólio na parte traseira, ou rodas originais do próprio Monza e não de Mercedes. Mas, todas elas são bastante parecidas. O esquema de trabalho também difere entre uma e outra. Em algumas, o carro é entregue pronto: o cliente paga pelo Monza e mais as alterações. Noutras é o cliente quem leva os componentes de peças da Mercedes, além do próprio carro novo ou usado. A empresa só se responsabiliza pela adaptação. É o que faz a Agromotor em São Paulo. Luis Francisco Batista, sócio-gerente da empresa, explica que quem traz as peças é o próprio cliente, além de dizer como quer a adaptação.

Transformação

A adaptação envolve uma série de componentes como pára-lamas e painéis (dianteiros e traseiros), coluna lateral traseira, faróis e muitos outros detalhes que dão ao Monza uma semelhança com o modelo alemão. Mas tudo é feito artesanalmente, uma vez que são muito poucas as adaptações feitas atualmente.

Entre as mudanças, o painel traseiro do Monza é recortado e removido para ser instalado o da Mercedes 190 E. Essa tarefa, feita à mão, requer muito cuidado e precisão, pois atinge os pára-lamas traseiros, que são rebatidos. É que tanto o pára-choque quanto o painel da Mercedes são mais estreitos que os do Monza. Após a instalação do painel, os pára-lamas são recortados para a colocação das lanternas traseiras do carro importado. O suporte do pára-choque é reduzido no seu comprimento, com furação diferente da original. A última alteração na traseira do veículo é feita em todos os terminais da fiação elétrica, para o perfeito encaixe dos novos soquetes.

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A principal modificação, no entanto, está no capô do motor, cortado na sua extremidade e com duas extensões metálicas para a fixação da nova grade. Esses prolongamentos são soldados ao capô e o acabamento de funilaria é com estanho, ao invés de massa plástica, para dar maior qualidade final. Ainda durante esse acabamento, é feito um canto vivo na extremidade central do capô, onde é aplicada a grade. E o capô ainda recebe outras mudanças na sua curvatura, tornando-se mais semelhante ao da 190 E. Para ficar ainda mais parecido com o importado, o Monza recebe uma extensão metálica de três centímetros de largura, abaixo dos faróis, para que tcdo o conjunto (faróis, lanternas e grades) fique maior e mais semelhante ao carro alemão. Os pára-lamas dianteiros são recortados e rebatidos para receber as novas lanternas. O suporte do pára-choque é encurtado e sua furação, como na traseira, também é alterada para o novo pára-choque ser fixado.

Saída de ar lateral

Outra alteração é o fechamento da saída de ar existente na coluna lateral traseira. Nesse local a Agromotor coloca um friso de borracha. Depois do terminada toda a parte de funilaria, é dado o acabamento, corno pintura e polimento. A cor será do jeito que o cliente gostar, mas costuma-se usar as mesmas tonalidades de pintura da Mercedes 190 E.

Equipamentos

Com todas as modificações básicas feitas, cheqa-se a fase de colocação dos equipamentos opcionais. A lista é ampla e inclui frisos de borracha no teto, remoção dos frisos laterais originais do Monza e, para os mais fiéis admiradores, até a colocação do volante e bancos de couro da Mercedes. Pode-se optar, ainda pelo teto solar elétrico (aliás, já produzido no Brasil pela Karmann-Ghia) e painel de instrumentos original da Mercedes.

Mas tudo isso vai depender do quanto o cliente está disposto a gastar. No caso da adaptação da Agromotor, cada novo componente irá encarecer o trabalho. Um conjunto de faróis, por exemplo, custa cerca de Cz$ 30 mil _aquele mais sofisticado, com limpador para auxiliar nos dias de chuva. Outras empresas de adaptação utilizam ainda rodas originais da Mercedes e pneus do tipo P4 para ficar ainda mais parecido com o veículo importado.

De uma empresa para outra também varia o custo da adaptação. A Agromotor cobra apenas o serviço da mão de-obra, que fica em torno de Cz$ 25 mil. O resto das despesas do valor do carro, mais peças e equipamentos importados, ficam por conta do usuário. Em outras oficinas, o custo da transformação completa, incluindo o preço do carro, mais peças e componentes fica em torno de Cz$ 500 mil. E todo o trabalho demora de 15 a 45 dias para ficar pronto, dependendo também da empresa.

A Agromotor, pensando numa maneira de diminuir os custos, está desenvolvendo alguns componentes, como o pára-choque em fibra de vidro. Desta forma, o custo seria bastante minimizado. Ou seja, com o tempo e a procura por esse tipo de veículo, a tendência é que o custo da adaptação acabe diminuindo, e também o tempo de execução do trabalho. Afinal, muitas pessoas podem estar interessadas numa "Mercedes" nacional, bem mais em conta que uma importada.

Como é a verdadeira Mercedes 190 E

Mercedes 190 E

Por fora, o Monza adaptado lembra uma Mercedes. Mas, os dois carros, sem dúvida, têm muitas diferenças. Esse modelo 190 E, em que o Monza se baseou para sua transtormação, é um dos mais recentes da indústria alemã. Tem um motor 2.6 (2.600cc) de seis cilindros em linha, modelo M 103, e uma potência de 166 CV, com consumo, segundo o fabricante, de aproximadamente 10 km/litro. É um veículo compacto e sofisticado, seguindo uma tendência de mercado européia. Sua tecnologia deriva das séries 260 E e SE, mas com outros aprimoramentos, principalmente quanto à aerodinâmica. Uma das inovações é um sofisticado processo de controle de poluição, para poder cumprir as exigências do mercado norte-americano, para onde este carro é também exportado. Outros equipamentos de série são o câmbio de cinco marchas (com opcional hidramático), direção hidráulica, espelho retrovisor externo com desembaçador. Externamente, as diferenças entre o novo 190 E 2.6 e os outros modelos mais simples da série 190, são apenas o desenho do spoiler dianteiro e os tubos de saída do escape.

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